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Comunidade Várzea Queimada é referência na produção de peças artesanais

Entrada da comunidade Várzea Queimada Fonte: Aparecida Mota

A comunidade Várzea Queimada, localizada a 27km do município de Jaicós, no Sertão Piauiense, é referência na produção de peças artesanais a partir da tradição deixada pelos antepassados de usar a palha da carnaúba para fazer artesanato. Atualmente, o trabalho desenvolvido pela Associação de Mulheres Artesãs Várzea Queimada é reconhecido em grande parte do país e até mesmo internacionalmente.
A associação surgiu em fevereiro de 2011, por meio de iniciativa da presidente da Associação, Silvana Barbosa, sendo que no início foram reunidas 22 mulheres.

O reconhecimento

Produtos produzidos na comunidade Fonte: Aparecida Mota

De acordo com a Administradora da Associação, Marcilene Barbosa, a criação associação em conjunto com o projeto desenvolvido por Marcelo Rosenbaum mudou a perspectiva de vida dos moradores da comunidade, tornando-a notória tanto na produção de peças artesanais quanto como ponto turístico por suas belezas naturais. “Após a criação da associação e a chegada do projeto de Rosenbaum houve muitas melhorias, como, uma maior geração de renda para a comunidade, melhorou a nossa auto-estima. Hoje,Várzea Queimada é conhecida como ponto turístico e de estudos por todos o país e até mesmo internacionalmente”, ressalta.
Além do artesanato, a renda mensal da comunidade se dá por meio da agricultura familiar e da agropecuária, atividade presente na maioria das comunidades rurais no Piauí.
“A comunidade tem em média duzentas e cinquenta famílias que além do artesanato produz a partir da agricultura familiar e da agropecuária”, destaca Marcilene Barbosa.

Marcilene Barbosa, administradora da Associação de Mulheres Artesãs Fonte: Aparecida Mota

A Associação de Mulheres da Várzea Queimada produz em torno de mil e quinhentas peças por ano. A produção é destinada a lojas luxuosas das grandes metrópoles do país. Conforme Marcilene, o arquiteto especializado em design Marcelo Rosenbaum é o intermediador das peças, por ser reconhecido internacionalmente por seu trabalho.
Outro ponto destacado pela artesã Marcilene Barbosa como divisor de águas para o sucesso da comunidade foi a retirada das peças de onde elas não eram reconhecidas “a retirada das nossas peças da feira local onde não eram reconhecidas e levá-las mundo à fora, vê-las passar em canais de TV mudou a realidade em que vivíamos, tornou nosso trabalho reconhecido”, pontua.
Mesmo com todo o reconhecimento do artesanato em vários lugares, as mulheres artesãs ainda enfrentam muitos desafios. A artesã Silvana Barbosa destaca que a comunidade sonha em possuir um transporte e um local que pertença a Associação. “O nosso sonho pessoal é possuir um transporte para poder transportar nossas peças e que o governo repasse o documento desta sede para nosso nome da associação”, afirma.

Local de produção das peças artesanais Fonte: Aparecida Mota

A Tradição

O artesanato produzido em Várzea Queimada é um patrimônio cultural do local. Os bisavós, avós e pai de algumas mulheres artesãs já trabalhavam e viam potencial na palha de carnaúba.
“Fomos criadas desde cedo nesse meio aprendemos a fazer tranças a qual era a única renda da comunidade, renda de nossos pais e avós”, afirma Silvana Barbosa.
Com isso, é possível perceber que a prática do artesanato foi uma tradição passada de geração para geração, pois desde a fundação da comunidade já se trabalhava com isso, gerando o sustento através dos recursos da natureza e disponíveis no local, como destaca Marcilene Barbosa “o artesanato com a palha e borracha já dominamos porque foi algo de pai para filho”.

Peças produzidas de borracha e palha pelas artesãs Fonte: Aparecida Mota

A comunidade carrega uma vasta tradição e todos aqueles que adquirem suas peças, levam junto a história de vida e a cultura daquele local.
“Várzea Queimada é um local de experiências de vida de um povo que luta para levar a sua história, quando você compra alguma peça fabricada por nós, você não leva apenas o objeto, mas vivencia a nossa tradição, a nossa história e a nossa luta”, assegura a presidente da Associação Silvana Barbosa.

Livro da história da comunidade, por Marcelo Rosenbaum Fonte: Aparecida Mota

Dessa forma, mesmo com o trabalho reconhecido nacionalmente e internacionalmente, a comunidade ainda não consegue sobreviver apenas da renda do artesanato. Por outro lado, Várzea Queimada é um exemplo de superação dos estereótipos entrelaçados da mente da maioria do país, pois mostra alternativas sustentáveis para se trabalhar com o artesanato através da cultura repassada de geração em geração.

Por: Paloma Sene, Aparecida Mota, Daniel Reis e Tainara Sousa

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