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Por trás das lentes: Oeiras, um centro e várias histórias

Por volta do século XVII, Oeiras era denominada fazenda de Cabrobó, onde o que prevalecia era a criação de gado. Mais tarde, a cidade deixou o título de fazenda e passou a ser denominada de Vila da Mocha, e logo em seguida passou a ser definitivamente chamada de Oeiras isso em homenagem ao Marquês de Pombal que era conde da cidade. Atualmente, essa localidade é referência em pontos turísticos, isso por conta da grandiosidade do seu centro histórico.

Fotografia de um quadro que representa a igreja de Nossa Senhora da Vitória, quando capela. Fonte: Giselly Pacheco

Segundo a historiadora, Francisca Costa, a cidade de Oeiras se deu em volta de uma capela, conhecida nos dias atuais como Igreja de Nossa Senhora da Vitória. “Em torno da fazenda Cabrobró, vai surgir os primeiros núcleos populacionais, como a religiosidade católica ela era muito intensa na colônia, vai ser erguida uma capela, a capela de Nossa Senhora da Vitória, que vai receber a bênção, se não me falho a memória, pelo Padre Miguel de Carvalho, ele que vai abençoar a capela. A capela não era a igreja, não tinha toda aquela beleza que a gente encontra lá, mas vai ser a partir dali, que ao redor vão surgir as primeiras construções, as primeiras casas, os sobrados, então, tudo para direcionar, para administrar esse núcleo populacional”, relembra a historiadora.

A  Igreja de Nossa Senhora da Vitória

Fonte: Jackelany Vasconcelos

Oeiras foi contemplada com o primeiro templo regular do Piauí, local de muita fé e adoração, a catedral foi edificada no ano de 1696, data em que a mesma foi instituída Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, após a construção o templo passou apenas por uma reforma que foi em 1733, no qual é preservado até os dias de hoje com uma grande beleza arquitetônica. Apesar dos poucos recursos da época, a criatividade dos mestres de obra, lhe fizeram com simplicidade em forma de cruz. Este templo é localizado dentro da estrutura sócio política e econômica da época, pelo fato de, que se encontra entre o antigo palácio do governador e os grandes casarões, que esses representam o poder político e econômico da cidade, onde o centro, é a igreja.

A valorização e preservação da igreja começam a partir dos responsáveis que mantém os cuidados com o templo, por ser a primeira igreja regional do Piauí, adentra a expressão sócio histórica e a responsabilidade social, envolvendo assim, não só os funcionários do templo, mas também a população que frequenta a igreja. “Porque aqui não é um templo, uma casa comum, mas uma expressão de fé, é a casa de Deus, a casa do filho de Deus então a gente cuida bem. Se a gente cuida da nossa casa, imagine daqui.”, ressalta Padre Possidônio.

A Casa Das Doze Janelas

Fonte: Jackelany Vasconcelos

Segundo o professor, Júnior Viana, há um estudo ainda sendo feito para se ter uma validação do que de fato era a casa das doze janelas. Hoje quem faz esse estudo é o geógrafo Soares Filho, e em seus relatos ele costuma dizer que a casa das doze janelas durante o período que Oeiras era capital do Piauí, ela servia de dependência de uma espécie de casa da fazenda, como se fosse responsável pelas finanças daquele período.

Diante do imaginário das pessoas, essa casa era tida como “casa das doze donzelas”, mas, como no centro de Oeiras há uma casa com treze janelas e o proprietário dessa casa não tem treze filhas, isso faz com que tenhamos em mente, que isto não passa de um mito.

Exposição de quadros na casa das doze janelas. Fonte: Gizelly Pacheco

Atualmente, a casa das doze janelas é um espaço de exposição cultural da cidade.

“A casa das doze janelas é hoje sem sombra de dúvidas, o patrimônio arquitetônico de Oeiras, um dos mais chamativo pela sua grandiosidade, suntuosidade das quantidades de suas janelas, arquitetura civil com influência arabesca e também pela funcionalidade dela, não é meramente um prédio, é também um prédio que tem vida, exposição de arte, um prédio que acontece shows, saraus, que em determinados momentos é servido algum elemento gastronômico. Então, hoje a casa das doze janelas é um prédio na cidade que tem vida, que tem cultura, que proporciona a validade da identidade do município. afirma o professor, Júnior Viana.

Museu de Arte Sacra

A cidade de Oeiras, conta com um museu de artes sacra, no qual foi criado em 1983, porém tornou-se efetivamente em 1984. O prédio passou por muitas transformações importantes antes dessa época, foi o local de funcionamento do quartel no século XIX, foi domicílio da família Castelo Branco, também foi intendência municipal, logo após se tornou a primeira escola da cidade no período republicano, foi palácio episcopal, até tornar-se o museu de artes sacra.
O museu conta com um acervo de peças antigas das igrejas católicas da cidade, algumas peças foram cedidas ou doadas por particulares, obtidas através de uma campanha. O acervo sacro é composto por salas temáticas, no entanto algumas peças ainda são usadas em momentos celebrativos, principalmente no período da Semana Santa, como é o caso da imagem do Senhor ressuscitando, que sai uma vez por ano nesse determinado período, cinquenta dias após a Semana Santa acontece uma manifestação da religiosidade popular que ocasiona a mais de um século na cidade de Oeiras.

Fonte: Jackelany Vasconcelos

O museu conta com uma imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória, que chegou a cidade no ano de 1696 a 1697, imagem mais antiga do Piauí, pois contem seus 320 anos, mais velha que a própria cidade de Oeiras que conta com seus 300 anos. O museu é visitado por estudantes, professores e acadêmicos, da própria cidade, de outras regiões e até mesmo de outros países.
Segundo, Pedro Júnior Dias, funcionário do museu de artes sacras, o trabalho de maior valorização iniciou a partir de 2013, quando o museu foi homenageado nos seus 30 anos e se tornou aparelho cultural de muita visibilidade, quando também foi criado uma logomarca e campanha, “Todos Pelo MAS”, que é responsável por receber doações monetárias para ajudar no funcionamento do museu.
É notório que em sua bagagem de 300 anos, a cidade carrega uma história e uma cultura que são preservados até os dias atuais.

Reportagem produzida pelas alunas do curso de Jornalismo da Faculdade R. Sá: Jackelany  Vasconcelos e Gizelly Pacheco

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